ANDERSON NASCIMENTO - Fotógrafo

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Romantismo através dos anos

Nos anos 10 - Ele de terno (fato), colete e cravo na lapela, embaixo da janela dela, canta:
“Tão longe, de mim distante, onde irá, onde irá teu pensamento? Quisera saber agora se esqueceste, se esqueceste o juramento. Quem sabe se és constante, se ainda é meu teu pensamento. E minh’alma toda de fora, da saudade, agro tormento!”

Na década de 20 - Ele de terno (fato) branco e chapéu de palha embaixo do sobrado em que ela mora, canta:
“Ó linda imagem, de mulher que me seduz! Ah, se eu pudesse tu estarias num altar! És a rainha dos meus sonhos és a luz. És malandrinha, não precisas trabalhar.”

Nos anos 30 - Ele de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
“Tu és divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada. És formada com o ardor da alma da mais linda flor de mais ativo olor, que na vida és preferida pelo beija-flor.”

Nos anos 40 - Ele ajeita o relógio Pateck Philip na algibeira, escreve para a Rádio Nacional e manda oferecer a ela uma linda música:
“A deusa da minha rua tem os olhos onde a lua costuma se embriagar. Nos seus olhos, eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar.”

No fim dos anos 50 - Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça. É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que eu já vi passar.”

Nos anos 60 - Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeita a calça lee e coloca na vitrola uma música “papo firme”:
“Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar como é grande o meu amor por você.”

Nos anos 70 - Ele chega em seu fusca, com tala larga, sacode o cabelão, abre a porta pra “mina” entrar e bota uma “melô jóia” no toca-fitas:
“Foi assim, como ver o mar. A primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar. Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar…”

Nos anos 80 - Ele telefona pra ela e deixa “rolar um som”:
“Fonte de mel, nos olhos de gueixa, kabuk, máscara. Choque entre o azul e o choque e acácias, luz das acácias, você é mãe do sol.”

Nos anos 90
- Ele liga pra ela e deixa gravada uma música na secretária eletrônica:
“Bem que se quis depois de tudo ainda ser feliz, mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?”

No ano 2000 - Ele captura na internet um “batidão legal” e manda pra ela, por e-mail:
“Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão!Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim!”

Nota: Onde foi parar o romantismo? Não embarque nessa onda! Já ligou para o seu amor hoje? Já disse a ele/ela que o(a) ama? O que está esperando?

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Uma resposta para “ Romantismo através dos anos ”

  1. Fernando Soutello Novembro 21st, 2006 15:36

    Quem inventou o amor… explica por favor.

    Vem me diz o que aconteceu, faz de conta que passou…. quem inventou o amor, explica por favor.

    Bem legal Anderson, vc sempre criativo!

    Bons e criativos clicks, sempre!

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